As Águas não irão rolar

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10711076_304830739701218_63907949307358291_nPor Luiz Alberto ‘Cebolinha’ Pereira*

*Político, presidente da Câmara de Indaiatuba, Bacharel em Direito, conhecedor de bons vinhos, mas principalmente, um apaixonado por água

Realmente as coisas envolvendo as questões ligadas a água são por demais sérias e preocupantes. Torna-se completamente inadiável a tomada de medidas enérgicas e imediatas, uma vez que já não há mais tempo para conversas acadêmicas e adiamentos sem a menor lógica.

Na realidade, temos que entender que as questões relativas a água tem que ser diária e independe de ser verão, outono ou qualquer outra estação. A economia tem que ser buscada com o mesmo empenho que a sociedade combate as drogas e luta contra a violência. Resumindo: não existirá mais um minuto sequer de trégua, pois o problema é violentamente comprometedor e nos coloca um dos maiores desafios já enfrentados pela humanidade; e ser derrotado nessa luta é condenar todas as conquistas até hoje conseguidas e retornar ao ponto zero.

Fica muito claro que em muito dependemos das condições meteorológicas, porém existem muitas atitudes e muitos hábitos que podemos e teremos de mudar em nossa maneira de viver. Por outro lado, também existem várias medidas que o Poder Público terá que tomar que, na verdade já eram para serem tomadas.

Os números envolvendo a questão da água são assustadores. Em recente relatório divulgou-se que no Brasil 37% do líquido tratado acaba se perdendo nas tubulações, fraudes ou ligações clandestinas! Para se ter uma ideia do absurdo desses dados, nas cidades da Alemanha esse desperdício não passa de 7%. Mas se a nossa média é alta, temos Estados em que o estrago chega a inimagináveis 76,5%, ou seja, a água perdida é muito mais do que a consumida. Isso acontece no Amapá, por exemplo.

No Estado de São Paulo não acontece nenhuma maravilha e as perdas chegam a 30%, demonstrando a falta de investimentos suficientes para trazer essa média aos números aprovados internacionalmente.

Na realidade, há anos o alerta foi disparado. Porém, parece que poucos pararam para analisar a seriedade dos fatos e agora a corrida é verdadeiramente contra o tempo. Há necessidade de implantar uma nova cultura no uso da água e isso, infelizmente, leva um certo tempo.

Por outro lado, a busca por novas alternativas de fornecimento estão praticamente esgotadas e já começamos a assistir verdadeiras batalhas pelo direito de usar águas dos grandes rios. Isso está acontecendo em relação ao Rio Paraíba do Sul, que o Estado do Rio de Janeiro tenta bloquear qualquer possibilidade do uso de suas águas pelo Estado de São Paulo; e pelo Estado de Minas Gerais, que também começa a discutir os problemas.

Outro problema que já começa a tomar grandes contornos é o desvio de águas do interior para socorrer a Grande São Paulo e cidades como Americana, Campinas e Monte Mor, que seriam prejudicadas de imediato.

Encerrando: só com trabalho e dedicação de todos é que poderemos acender uma luz no túnel! Mesmo porque, quando não há água, não há energia elétrica da forma que mais usamos no país! Sendo assim, essa falta de água poderá acabar até com a luz do começo do túnel, imaginem no fim.

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